Home Data de criação : 07/10/09 Última atualização : 08/04/22 17:49 / 3 Artigos publicados
 

Quando não chora, o Botafogo sabe jogar futebol  escrito em terça 22 abril 2008 17:49

A final da Taça Rio, no último domingo, mais do que desmentir a lenda de que o Botafogo não ganha nada, serviu para provar para os próprios jogadores do time alvinegro que, quando não se desesperam, seu futebol pode ser superior ao dos adversários.

Diferentemente da final da Taça Guanabara - quando Túlio caiu em lágrimas após a expulsão de Zé Carlos, pedindo para que o técnico Cuca o tirasse de campo, e o time inteiro se desestruturou, desandou a fazer faltas grosseiras e desnecessárias (o que ocasionou mais uma expulsão, a do capitão Lúcio Flávio) e deixou o título escapar nos acréscimos com um belo gol de Diego Tardelli -, no último fim de semana, o Botafogo, que vinha sendo superior ao Fluminense desde meados do primeiro tempo, não se deixou abater pelo cartão vermelho mostrado ao lateral Alessandro e, mesmo com 10 jogadores em campo, passou a pressionar ainda mais o time tricolor, até que o gol finalmente saiu, numa jogada esquisita, concluída com oportunismo pelo zagueiro Renato Silva.

Não houve “complô de arbitragem”, roubalheira, nem chororô. Ou melhor, houve sim chororô, mas apenas por parte do atacante Jorge Henrique, que fez falta violenta no final do segundo tempo, quando o time tentava segurar a bola no campo de ataque para ganhar tempo. Jorge Henrique esqueceu que, naquele momento, o Botafogo ganhava apenas a Taça Rio, mas ainda teria de disputar 2 jogos contra o Flamengo para decidir o Campeonato Carioca, o primeiro deles sem o atacante, que cumprirá suspensão automática. Entretanto, o descontrole de Jorge Henrique não contaminou o resto do time, que soube aproveitar a posse de bola e manteve o 1 a 0 até o fim do jogo.

 

O Botafogo é atualmente o time mais regular do Rio de Janeiro. Não tem um elenco de craques, mas seus jogadores são entrosados e afinados com o comando de Cuca. Sob a presidência de Bebeto de Freitas, a diretoria vem fazendo um trabalho digno de um clube do porte do Botafogo – o que é cada vez mais raro entre os grandes clubes do país – e a base da comissão técnica e dos atletas é a mesma há quase 2 anos, quando o técnico Cuca estreou no comando do alvinegro. O maior adversário do Botafogo, no entanto, é o aspecto psicológico de todo o clube: desde a presidência até os jogadores. O vexame apresentado no vestiário após a derrota para o Flamengo na decisão da Taça Guanabara, quando time, técnico e presidente culparam a Federação do Rio de Janeiro, a arbitragem e outros mais pela perda do título, parece ter sido superado após as críticas recebidas da imprensa e o deboche das torcidas adversárias. Bebeto de Freitas voltou atrás no pedido de demissão e o time e a comissão técnica colocaram a cabeça no lugar para recuperar o tempo perdido entre acusações infundadas e autocomiseração.

Se o time do Botafogo continuar o bom trabalho técnico e psicológico, e se ater ao futebol que tem apresentado nos últimos meses, tem grandes chances de devolver ao Flamengo a derrota sofrida na decisão do Carioca de 2007 e de avançar na Copa do Brasil, redimindo-se perante sua torcida da perda desses títulos no ano passado.

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Show no Maraca  escrito em quinta 18 outubro 2007 22:36

Nada como ter a Seleção Brasileira de volta ao Maracanã. Pois se no Maracanã vaia-se até um minuto de silêncio, Afonso então.

Depois de 7 anos de jejum – pois, graças a uma “rixa” entre o comandante da Confederação Brasileira de Futebol e o casal ex-comandante do Estado do Rio de Janeiro, o torcedor carioca foi privado de apreciar ao vivo o melhor futebol do mundo; isso é que é democracia!  -, pudemos finalmente ver nossos craques (e outros convocados de Dunga) a poucos metros de distância. Se foi bom para o torcedor, foi melhor ainda para a Seleção.

Dunga recebeu suas primeiras vaias autenticamente brasileiras como técnico. Nada de amistoso sem graça em solo europeu (ou até norte-americano), onde a “colônia” brasileira local parece mais estar curtindo um carnaval fora de época que assistindo a uma partida de futebol. Se o futebol é brasileiro e os jogadores nasceram aqui, têm que jogar aqui pro público brasileiro apreciar – e vaiar, se for o caso. E nosso técnico teve uma boa noção de como anda a cotação de seus centro-avantes junto ao público local. Seleção Brasileira que se preze não pode ter um ataque composto de jogadores que atuam no futebol russo ou holandês, muito menos quando nem em seus times eles têm garatida a posição de titular. Não temos o melhor futebol do mundo? O Brasil não é um celeiro de craques? Quer dizer então que agora esses craques jogam em times pequenos da Holanda? Acho que não...

Ainda bem que, apesar de Vágner Love, Afonso, Mineiro... temos também Robinho, Kaká, Ronaldinho... E que Dunga não cometeu o erro de deixar algum deles no banco. Foram eles que deram o show que a torcida tanto aguardava. E foram retribuidos, com seus nomes ovacionados ou com gritos de “melhor do mundo”.

A Seleção Brasileira, ontem, encantou o Maracanã. Parecia outro time, não o que enfrentara a Colômbia poucos dias antes. E a torcida carioca mostrou que é esse o time que o brasileiro, que gosta de futebol, cresce sonhando ser jogador, lota estádios para ver os timecos que hoje disputam o Brasilerão, quer ver em campo. Tomara que jogadores e comissão técnica tenham aproveitado o “choque” de realidade de um jogo em casa.

* * *

Em determinado momento “sonífero” do jogo, após nosso centro-avante titular ter desperdiçado as poucas chances de gol que haviam sido criadas, com o time tocando bola de um lado pro outro “à la Copa 2006”, um amigo que assistia ao jogo comigo comenta: “O pior é que nem temos banco pra poder gritarmos pedindo substituição. Vamos pedir quem? Afonso?”. Quase que instantaneamente o Maracanã em peso começa o grito de: “Obina! Obina!”

Jogo no Maraca é jogo no Maraca, independente de quem está em campo.

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Por um jornalismo esportivo de qualidade  escrito em quinta 11 outubro 2007 18:16

Começo esse blog fazendo um protesto. Protesto ou pedido, como bem entenderem. Talvez até mesmo um lamento. Por um jornalismo esportivo de qualidade.

Chega de babação de ovo, de reportagens no jornal impresso idênticas às do jornal televisivo, de reportagens no jornal televisivo idênticas às do jornal impresso, de jornalista impressionado pela falta de jogadores que atuam em times brasileiros na seleção, de seleção brasileira fazendo apenas o dever de casa (ou nem isso) e não sendo criticada pelos jornalistas, mais impressionados com o sucesso que o time faz no exterior que com os seus resultados, de matérias apressadas, onde não se checam os fatos e as estatísticas... Não dá mais pra tentar acompanhar notícias esportivas por meio dos noticiários publicados e veiculados no Brasil. Se você quer realmente se informar sobre o assunto, aprenda outra língua e entre no site do L´Équipe ou do Gazzeta dello Sport. E contente-se com notícias superficiais sobre o que acontece no Brasil, pois com tanta coisa (boa) acontecendo lá fora, a América do Sul fica mesmo em segundo plano para essas publicações.

Esse blog é uma tentativa de fuga à mesmice. Não é ainda o jornalismo esportivo de qualidade que o Brasil merece, pois não sou jornalista, mas apenas um espaço onde a CBF pode ser criticada sem medo de que o autor da crítica (e o veículo por ele representado) seja banido das concentrações, treinos e jogos, sem direito a entevistas exclusivas com os melhores jogadores de futebol do mundo. Um espaço onde acompanha-se o mundial de futebol feminino com a mesma empolgação da fase de grupos ao jogo final, ao invés de dedicar apenas boxes de canto de página aos primeiros jogos da seleção brasileira e, depois do time classificar-se para as semi-finais, passar a fazer reportagens de página inteira (mencionando hipocritamente o cartaz em que as meninas pedem apoio do brasil ao futebol feminino). Onde comenta-se sobre o melhor futebol do mundo, aquele jogado por brasileiros, mas em campos europeus, pois o futebol jogado aqui, e que ocupa 90% dos cadernos esportivos, é de dar sono ou de causar embaraço.

Aqui eu publico a minha opinião. Sobre futebol, vôlei, remo, diversos esportes e sobre o que andam falando sobre o assunto por aí. E quem concordar, ou discordar, pode publicar a sua também.

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