A final da Taça Rio, no último domingo, mais do que desmentir a lenda de que o Botafogo não ganha nada, serviu para provar para os próprios jogadores do time alvinegro que, quando não se desesperam, seu futebol pode ser superior ao dos adversários.
Diferentemente da final da Taça Guanabara - quando Túlio caiu em lágrimas após a expulsão de Zé Carlos, pedindo para que o técnico Cuca o tirasse de campo, e o time inteiro se desestruturou, desandou a fazer faltas grosseiras e desnecessárias (o que ocasionou mais uma expulsão, a do capitão Lúcio Flávio) e deixou o título escapar nos acréscimos com um belo gol de Diego Tardelli -, no último fim de semana, o Botafogo, que vinha sendo superior ao Fluminense desde meados do primeiro tempo, não se deixou abater pelo cartão vermelho mostrado ao lateral Alessandro e, mesmo com 10 jogadores em campo, passou a pressionar ainda mais o time tricolor, até que o gol finalmente saiu, numa jogada esquisita, concluída com oportunismo pelo zagueiro Renato Silva.
Não houve “complô de arbitragem”, roubalheira, nem chororô. Ou melhor, houve sim chororô, mas apenas por parte do atacante Jorge Henrique, que fez falta violenta no final do segundo tempo, quando o time tentava segurar a bola no campo de ataque para ganhar tempo. Jorge Henrique esqueceu que, naquele momento, o Botafogo ganhava apenas a Taça Rio, mas ainda teria de disputar 2 jogos contra o Flamengo para decidir o Campeonato Carioca, o primeiro deles sem o atacante, que cumprirá suspensão automática. Entretanto, o descontrole de Jorge Henrique não contaminou o resto do time, que soube aproveitar a posse de bola e manteve o 1 a 0 até o fim do jogo.
O Botafogo é atualmente o time mais regular do Rio de Janeiro. Não tem um elenco de craques, mas seus jogadores são entrosados e afinados com o comando de Cuca. Sob a presidência de Bebeto de Freitas, a diretoria vem fazendo um trabalho digno de um clube do porte do Botafogo – o que é cada vez mais raro entre os grandes clubes do país – e a base da comissão técnica e dos atletas é a mesma há quase 2 anos, quando o técnico Cuca estreou no comando do alvinegro. O maior adversário do Botafogo, no entanto, é o aspecto psicológico de todo o clube: desde a presidência até os jogadores. O vexame apresentado no vestiário após a derrota para o Flamengo na decisão da Taça Guanabara, quando time, técnico e presidente culparam a Federação do Rio de Janeiro, a arbitragem e outros mais pela perda do título, parece ter sido superado após as críticas recebidas da imprensa e o deboche das torcidas adversárias. Bebeto de Freitas voltou atrás no pedido de demissão e o time e a comissão técnica colocaram a cabeça no lugar para recuperar o tempo perdido entre acusações infundadas e autocomiseração.
Se o time do Botafogo continuar o bom trabalho técnico e psicológico, e se ater ao futebol que tem apresentado nos últimos meses, tem grandes chances de devolver ao Flamengo a derrota sofrida na decisão do Carioca de 2007 e de avançar na Copa do Brasil, redimindo-se perante sua torcida da perda desses títulos no ano passado.