Nada como ter a Seleção Brasileira de volta ao Maracanã. Pois se no Maracanã vaia-se até um minuto de silêncio, Afonso então.
Depois de 7 anos de jejum – pois, graças a uma “rixa” entre o comandante da Confederação Brasileira de Futebol e o casal ex-comandante do Estado do Rio de Janeiro, o torcedor carioca foi privado de apreciar ao vivo o melhor futebol do mundo; isso é que é democracia! -, pudemos finalmente ver nossos craques (e outros convocados de Dunga) a poucos metros de distância. Se foi bom para o torcedor, foi melhor ainda para a Seleção.
Dunga recebeu suas primeiras vaias autenticamente brasileiras como técnico. Nada de amistoso sem graça em solo europeu (ou até norte-americano), onde a “colônia” brasileira local parece mais estar curtindo um carnaval fora de época que assistindo a uma partida de futebol. Se o futebol é brasileiro e os jogadores nasceram aqui, têm que jogar aqui pro público brasileiro apreciar – e vaiar, se for o caso. E nosso técnico teve uma boa noção de como anda a cotação de seus centro-avantes junto ao público local. Seleção Brasileira que se preze não pode ter um ataque composto de jogadores que atuam no futebol russo ou holandês, muito menos quando nem em seus times eles têm garatida a posição de titular. Não temos o melhor futebol do mundo? O Brasil não é um celeiro de craques? Quer dizer então que agora esses craques jogam em times pequenos da Holanda? Acho que não...
Ainda bem que, apesar de Vágner Love, Afonso, Mineiro... temos também Robinho, Kaká, Ronaldinho... E que Dunga não cometeu o erro de deixar algum deles no banco. Foram eles que deram o show que a torcida tanto aguardava. E foram retribuidos, com seus nomes ovacionados ou com gritos de “melhor do mundo”.
A Seleção Brasileira, ontem, encantou o Maracanã. Parecia outro time, não o que enfrentara a Colômbia poucos dias antes. E a torcida carioca mostrou que é esse o time que o brasileiro, que gosta de futebol, cresce sonhando ser jogador, lota estádios para ver os timecos que hoje disputam o Brasilerão, quer ver em campo. Tomara que jogadores e comissão técnica tenham aproveitado o “choque” de realidade de um jogo em casa.
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Em determinado momento “sonífero” do jogo, após nosso centro-avante titular ter desperdiçado as poucas chances de gol que haviam sido criadas, com o time tocando bola de um lado pro outro “à la Copa 2006”, um amigo que assistia ao jogo comigo comenta: “O pior é que nem temos banco pra poder gritarmos pedindo substituição. Vamos pedir quem? Afonso?”. Quase que instantaneamente o Maracanã em peso começa o grito de: “Obina! Obina!”
Jogo no Maraca é jogo no Maraca, independente de quem está em campo.



João
Seg 05 Nov 2007 00:15